
Quem é de Pimenteiras já sabe que basta alguém mencionar “a estrada do Curral de Pedras” que o script se repete. A promessa de asfaltamento da via que liga a sede do município ao limite com Parambu (CE) é tipo série velha, muda o elenco, mas a trama é a mesma. E o final? Sempre adiado.
Agora, o que não falta é candidato a “pai do asfalto”. É cada um querendo o crédito pela futura obra, que, convenhamos, ainda é só uma ideia. Tem quem diga que foi o primeiro a pedir, tem quem mostre ofício como troféu, e tem quem faça post nas redes sociais como se já tivesse dado a ordem de serviço. Enquanto isso, o povo continua enfrentando o barro na chuva e a poeira na seca.
Com 2026 piscando ali na esquina, o assunto voltou a esquentar. E não por causa das máquinas, que ainda não deram o ar da graça, mas pelo velho truque de transformar promessa em palanque. O eleitor, coitado, precisa fazer malabarismo para entender quem realmente moveu uma palha, ou se alguém fez alguma coisa além de falar bonito.
Mas há um detalhe que os “autores do feito” convenientemente “esquecem”: a obra, se sair do papel, será do Governo do Estado, bancada com recursos do Governo do Estado. Simples assim. Não tem santo milagreiro local nem salvador de Facebook. Se um dia o asfalto chegar, e que chegue, o mérito é do Estado. Ponto.
O problema é que, na política, o oportunismo é esporte olímpico. E, como todo esporte, tem torcedores, competidores e medalhistas do discurso. Em Pimenteiras, a medalha de ouro vai para quem conseguir convencer o eleitor de que a poeira levantada é sinal de progresso.
Uma coisa que ninguém pode esquecer é de que a estrada ainda nem começou. Quando as máquinas chegarem de verdade e o barulho for de obra, não de promessa, aí, sim, será hora de comemorar. Até lá, o único pavimento garantido é o da conversa fiada.
*Texto opinativo do autor.