
A sucessão de decisões judiciais proferidas nas últimas semanas elevou a política de Pimenteiras a um patamar inédito de instabilidade. Em curto intervalo de tempo, a Justiça Eleitoral, em primeira instância, cassou o mandato de um vereador por fraude à cota de gênero, determinou a cassação da prefeita e do vice-prefeito por abuso de poder político e econômico e suspendeu os direitos políticos do principal nome da oposição no município, também por abuso de poder econômico. Todas as decisões dizem respeito ao contexto das eleições municipais de 2024. Embora ainda caibam recursos, os efeitos políticos são imediatos e já impõem a necessidade de reconfiguração das estratégias políticas locais.
Na prática, o município passou a discutir cenários eleitorais de forma antecipada, rompendo o calendário político tradicional.
Caso a cassação da prefeita Lúcia Lacerda e do vice-prefeito Zé Ota venha a ser confirmada nas instâncias superiores, abre-se uma possibilidade concreta de realização de eleição suplementar ainda dentro do atual ciclo administrativo. O histórico político local reforça essa hipótese. Em 2009, após o prefeito eleito em 2008, Dr. Arraes, ser impedido de assumir o cargo por conta de pendências judiciais, Pimenteiras retornou às urnas e elegeu Netinho, que, na ocasião, governou o município entre 2009 e 2012.
Diante do cenário atual, o grupo situacionista enfrenta o desafio de construir, com precisão estratégica, um nome capaz de preservar sua base política e manter a hegemonia administrativa. Nos bastidores, o nome da ex-primeira-dama Carmelina do Ó passou a ser trabalhado com maior intensidade. A estratégia aposta no capital político associado à gestão de seu marido, Venício do Ó, que esteve à frente da Prefeitura entre 2013 e 2020 e que foi peça-chave na eleição e reeleição da atual prefeita.
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Carmelina do Ó. (Crédito: reprodução/Redes Sociais[/caption]
Outros nomes também circulam nas discussões internas, como o do ex-vice-prefeito Rogério Caetano e o do atual vice-prefeito Zé Ota. Avaliações preliminares indicam que Rogério apresentaria, neste momento, menor índice de rejeição eleitoral, embora o cenário permaneça aberto e sujeito a mudanças.
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Rogério Caetano. (Crédito: reprodução/Redes Sociais[/caption]
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Zé Ota. (Crédito: reprodução/Redes Sociais[/caption]
O nome de Venício do Ó, por sua vez, não figura entre as opções viáveis, seja por entraves jurídicos, seja por avaliação estratégica do próprio grupo governista.
No campo da oposição, a decisão que suspendeu os direitos políticos de Tony Feitosa produziu um clima de preocupação. Aliados ainda depositam expectativa na reversão da decisão nas instâncias superiores, mas, paralelamente, o grupo oposicionista já se vê compelido a discutir alternativas, ainda que de forma discreta.
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Tony Feitosa. (Crédito: reprodução/Redes Sociais[/caption]
O ex-candidato a vice-prefeito Gean Lucas surge como uma dessas possibilidades, embora enfrente resistências internas e não reúna consenso dentro da própria base em torno de seu nome. O médico Dr. Arraes segue sendo considerado um nome competitivo, mas há questionamentos sobre sua capacidade de enfrentar, no atual contexto, a estrutura política que governa o município há treze anos.
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Gean Lucas. (Crédito: reprodução/Redes Sociais[/caption]
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Dr. Arraes. (Crédito: reprodução/Redes Sociais[/caption]
Fora essas alternativas, a oposição dispõe de poucas opções viáveis no curto prazo, a menos que haja uma indicação direta de Tony Feitosa, caso sua inelegibilidade seja mantida nas instâncias superiores.
Independentemente do desfecho jurídico, os fatos já produziram um efeito político incontornável, antecipando o debate, esquentando os bastidores e pressionado os grupos a acelerar articulações. Pimenteiras ingressou, oficialmente, em um período de incerteza política.
As cenas dos próximos capítulos dependem do que será decidido nos tribunais. Mas, do ponto de vista político, o jogo já começou e, por assim dizer, sob forte tensão, movimentos calculados e margem mínima para erros.