O pimenteirense Raimundo Roberto, 42 anos, popularmente conhecido como Buxinha, formado no Magistério, casado e pai de duas filhas, é um homem trabalhador, típico do sertão nordestino. Ele afirma que sempre gostou de escrever poesias, apesar de ter parado as produções há algum tempo. Em conversa com o editor responsável do Sambito News, José Maurício, Buxinha compartilhou que compôs um poema em homenagem ao rio Sambito, o principal rio de Pimenteiras (PI).
Em seu livro “Pimenteiras e suas famílias”, o escritor pimenteirense Pedro Paula descreve que o rio nasce a 550 m de altitude e com uma declividade de 1,8 m/km, na Serra das Almas, na zona rural de Pimenteiras. A partir da nascente até a localidade Ponta D'água, nas proximidades do povoado Mestiço, o rio só corre durante a estação de chuvas. Porém, na localidade Ponta D’água, existe uma fonte, de onde a água a jorra, fazendo com que o rio, a partir desse local, tenha água nos outros períodos do ano. O Sambito é um dos afluentes do Rio Poti, um dos principais rios do estado do Piauí.
O rio Sambito dá nome ao Território Vale do Sambito, um dos 12 Territórios de Desenvolvimento do Estado do Piauí, composto por 15 municípios, dentre eles, Pimenteiras. O nome do portal Sambito News, também, é uma homenagem ao rio.
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Raimundo Roberto (Buxinha), autor do poema “Rio Sambito”. (Foto: arquivo pessoal)[/caption]
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POEMA: RIO SAMBITO
Autor: Buxinha
A natureza criou tudo que há de mais belo em nosso planeta
Aí vem o homem com seu alto poder de destruição
Fazendo com que muitos animais e plantas entrem em extinção
Vou falar de um rio
Que há um tempo atrás era muito bonito
Que se chama Rio Sambito
Quando perene o rio Sambito banhava
Boa parte de nossa cidade
Por culpa de nós mesmo
Hoje só resta saudades
Rio de águas barrentas
Que o sol aquece durante o dia
E a noite a lua acalenta
Viu muitas riquezas
Quantos através dele
Nunca faltou pão na sua mesa
Rio de terras produtivas
E intensos carnaubais
Mas sua fauna e flora
Já não existe mais
Culpa do ser humano
Uns ignorantes
e outros por serem ambicioso demais
Hoje água só no período chuvoso
Culpa do próprio homem
Que é um ser malicioso
O homem com sua ambição
Esta destruindo suas margens
E acabando sua extensão
O homem vive indagando
Por que as lavouras então se acabando
Sem saber que ele é o culpado
Do Sambito estar secando
Mas o homem com sua vontade incessante de enricar
Nem imagina que aos poucos
O rio irá secar
Uns para garantir o seu sustento
E outros por serem interesseiros e avarentos
Brocavam o leito do rio dai começou o assoreamento
Os seus e os meus netos
Não irão conhecer
O rio que alimentou eu e você
Lembranças de um tempo, que existia fartura
Fazendas de gado, arroz, e engenho de rapadura
O canto dos pássaros ao amanhecer
Na beira do Sambito era coisa linda de se ver
O mergulho do camaleão, o esturro da sucuri
E o banho de sol do jacaré, coisas que o jovem de hoje não sabem o que é
Saudades do vaqueiro nas tuas margens
Correndo atrás do boi até pegar
Lembranças na minha mente
Por muito tempo irá ficar.
Rios de águas serenas que banharam muitas morenas
Debaixo de tuas árvores sombrias
Nasceram muitos Joãos e muitas Marias
Na tuas águas ardentes
Começaram histórias
Que duram eternamente
Por isso somos teus descendentes
Sambito tu és um amor
Qual Pimenteirense
Nas tuas águas não se banhou
Por isso deveriam ser tratado
Como um rei, um imperador
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Em 2020, o editor responsável do Sambito News, José Maurício, gravou uma reportagem falando sobre a fonte da localidade Ponta D'água. Na ocasião, não tínhamos conhecimento sobre a informação encontrada no livro do escritor Pedro Paula, que faz a referência à nascente do rio considerando o local onde ele inicia, na Serra das Almas (como já mencionado acima). A Ponta D'água, neste caso, não é o início do rio, mas o local onde a fonte/nascente jorra.
ASSISTA:
https://youtu.be/cElyElgfgns