
Informações e documentos divulgados nas redes sociais e aplicativos de mensagens nos últimos dias causaram grande preocupação entre os moradores da zona rural do município de Pimenteiras-PI, sobretudo nas localidades Manuel Pereira, Lagoinha, São Joaquim, Jatobá e São Gonçalo.
Segundo relatos de moradores, uma equipe de agrimensores equipada com ferramentas de agrimensura e um drone teria percorrido a região nos últimos dias. Conforme os relatos, a intenção dos homens era delimitar as terras sob a alegação de que algumas das propriedades da região estariam em área privada, o que, se confirmado, poderia resultar numa luta pela reintegração de posse.
Além da ação realizada pela equipe de agrimensores, alguns documentos foram compartilhados pelas redes sociais. Esses documentos afirmam que a posse das terras pertence a uma empresa/grupo da cidade de Fortaleza, no Ceará.
O Sambito News teve acesso aos arquivos. Um deles, um Laudo Técnico datado de 29 de março de 2000, afirma que a propriedade reivindicada, denominada Cova Donga II, tem uma área registrada equivalente a 70.003,04 ha.
Além do laudo, mais dois documentos foram compartilhados: uma Planta Topográfica e uma Certidão de Inteiro Teor. Todos reiteram sobre a posse da propriedade à empresa que a reivindica.
A reação da população residente nas comunidades afetadas foi de dúvida e preocupação com o futuro. Há mais de 40 anos, esses moradores mantêm uma ocupação pacífica dos terrenos. Um cenário de reintegração traria enormes danos a eles, principalmente, se tivessem que abandonar suas casas e terras, onde vivem e trabalham há tanto tempo.
Vista parcial da região. (Imagens de satélites reproduzidas via Google Earth)
PERCORRA O MAPA:
A prefeita de Pimenteiras, Maria Lúcia Lacerda, esteve na sede do Instituto de Terras do Piauí (Interpi), em Teresina, nesta quinta-feira (11 de janeiro), informando sobre o ocorrido no órgão. Em uma reunião com o diretor do Interpi, Rodrigo Cavalcante, a prefeita recebeu o apoio dele, tendo a certeza de que o órgão acelerará o processo de titulação das propriedades das famílias residentes nas respectivas localidades.
“Estamos aqui para proteger nossos agricultores, que dedicaram suas vidas a essas terras. A posse pacífica é uma realidade inquestionável e buscamos a ajuda do Interpi para assegurar a titulação, reconhecendo o trabalho árduo dessas comunidades”, disse Lúcia Lacerda.
Diante do cenário apresentado, espera-se que os órgãos competentes apurem os fatos visando tomar as medidas necessárias para assegurar e defender os direitos dos moradores.