
Um caso chocante de tortura contra uma criança autista de apenas quatro anos chamou atenção em Araucária, no Paraná. O menino, não verbal e diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi encontrado amarrado pelos punhos e cintura a uma cadeira dentro do banheiro de uma escola particular, no dia 7 de agosto. O Ministério Público do Paraná denunciou as professoras pelo crime de tortura, enquanto a diretora e a pedagoga da instituição foram acusadas de omissão imprópria por permitirem e orientarem as práticas abusivas.
A descoberta só foi possível graças à denúncia de uma funcionária que fotografou a cena e acionou o Conselho Tutelar e a Guarda Municipal. Ao abrir a porta do banheiro, os agentes encontraram a criança descalça, com os braços presos por fita e um cinto no corpo, batendo os pés em desespero. Os pais, Mirian e Augusto Ambrozio, relataram o impacto do episódio, destacando que o pai recebeu a notícia enquanto trabalhava e ficou em choque.
Outras famílias afirmaram que seus filhos também teriam sido contidos de forma violenta, e provas apresentadas à polícia indicam que o abuso não era isolado. Áudios entregues por funcionárias revelam que a diretora e proprietária da Escola Shanduca, Danieli Alexandra Zimermann, tinha conhecimento das práticas e orientava que os alunos fossem “contidos” em outro local ou com outra funcionária. Nas redes sociais, ela se apresentava como defensora da educação inclusiva, afirmando que crianças autistas necessitam de “amor e carinho”.
A investigação apontou ainda que a escola funcionava com funcionários sem registro, alta rotatividade e pessoas sem formação pedagógica, incluindo menores de idade. A professora Sara Maria Erdeman Correia, de 18 anos e estudante de Pedagogia, foi presa em flagrante por tortura, mas posteriormente liberada. O Ministério Público já solicitou a prisão preventiva dela, enquanto o caso segue em apuração.
Fonte: 180graus